Gestão

OKRs vs NCTs: Qual o melhor modelo de gestão para empresas

Entenda as diferenças entre OKRs e NCTs, os problemas dos modelos tradicionais de metas e por que algumas empresas estão mudando sua forma de executar estratégia.


OKRs vs NCTs

Durante muitos anos, os OKRs dominaram as discussões sobre gestão dentro das empresas modernas.

O modelo ficou extremamente popular em startups e empresas de tecnologia, principalmente pela promessa de criar alinhamento, foco e crescimento acelerado.

E, de fato, os OKRs ajudaram muitas empresas a organizarem melhor suas prioridades e criarem uma cultura mais orientada a resultado.

O problema é que, com o tempo, muitas operações começaram a perceber um efeito colateral importante: definir metas não significa necessariamente criar execução.

Foi exatamente nesse contexto que modelos alternativos começaram a ganhar espaço, como os NCTs (Narrative, Commitments and Tasks). A proposta da metodologia é relativamente simples: aproximar estratégia, contexto e execução operacional.

Mas afinal, qual a diferença entre OKRs e NCTs? E por que tantas empresas começaram a questionar os modelos tradicionais de gestão por metas?

O que são OKRs?

OKRs significa “Objectives and Key Results”.

O modelo funciona a partir da definição de um objetivo principal, normalmente mais qualitativo e estratégico, acompanhado de resultados-chave mensuráveis que indicam se aquele objetivo foi atingido ou não.

Na prática, a lógica é relativamente simples.

A empresa define onde quer chegar e cria indicadores e métricas para acompanhar se está evoluindo na direção correta.

Um exemplo seria:

Objetivo: melhorar a eficiência comercial.

Resultados-chave:

  • Reduzir ciclo de vendas em 20%
  • Aumentar win rate em 15%
  • Diminuir CAC em 10%

Os OKRs ficaram extremamente populares porque ajudam empresas a criarem foco, alinhamento e priorização. O modelo também trouxe uma cultura muito mais orientada a acompanhamento de resultados.

O problema é que muitas empresas passaram a usar OKRs apenas como uma ferramenta de cobrança e acompanhamento de números.

O problema com os OKRs

O principal problema dos OKRs não está necessariamente na metodologia.

Está na forma como muitas empresas implementaram o modelo.

Com o tempo, várias operações começaram a transformar OKRs em uma dinâmica extremamente focada em dashboards, reuniões de status e cobrança por indicadores. A meta virou o centro da gestão.

Só que existe um problema importante nisso.

Pessoas não executam melhor apenas porque conhecem o número que precisam atingir.

Execução depende de contexto, clareza e direção.

Em muitas empresas, a liderança entende perfeitamente o cenário estratégico, os desafios da operação e os motivos por trás das decisões. Mas grande parte do time recebe apenas a meta final.

E isso cria um desalinhamento silencioso.

A operação sabe “o que” precisa atingir, mas não entende exatamente “por que” aquilo virou prioridade ou “como” aquilo deveria ser executado.

Na prática, muitas empresas acabaram usando OKRs muito mais como ferramenta de pressão do que como ferramenta de direção.

O que são NCTs?

Os NCTs surgem justamente como uma tentativa de resolver esse problema.

A sigla significa Narrative, Commitments and Tasks.

A lógica do modelo é conectar estratégia e execução de uma forma mais clara, criando contexto antes da cobrança por resultado.

O primeiro elemento são as Narratives.

A narrativa representa o contexto estratégico da empresa. Antes de falar sobre metas, a liderança explica qual cenário a operação está vivendo, quais problemas precisam ser resolvidos, quais riscos existem e por que determinada direção estratégica faz sentido naquele momento.

A ideia é simples: pessoas executam melhor quando entendem o motivo por trás das decisões.

O segundo elemento são os Commitments, ou compromissos.

Aqui a discussão deixa de ser apenas “qual número queremos atingir” e passa a ser “o que realmente precisa acontecer para a estratégia funcionar”. Os compromissos ajudam a alinhar responsabilidades entre áreas e evitar que cada time trabalhe com prioridades diferentes.

O terceiro elemento são as Tasks.

As tasks representam a execução operacional do dia a dia. Ou seja, quais iniciativas, tarefas e ações precisam acontecer para transformar a estratégia em resultado prático.

E esse talvez seja o principal diferencial do modelo: os NCTs tentam aproximar contexto, alinhamento e execução operacional dentro da mesma estrutura.

O maior erro das empresas modernas: separar estratégia da operação

Talvez esse seja o principal aprendizado de toda essa discussão.

Muitas empresas criaram uma distância enorme entre liderança estratégica e operação.

A liderança pensa em crescimento, retenção, posicionamento e eficiência. Enquanto isso, a operação recebe apenas tarefas, metas e cobranças.

Sem contexto. Sem clareza estratégica.

E isso gera um problema extremamente comum: pessoas executam sem entender direção.

O resultado aparece rápido. Times desalinhados, prioridades confusas, sensação constante de urgência e metas que perdem força no meio do trimestre.

Porque execução não acontece apenas porque existe uma meta definida.

Ela acontece quando as pessoas entendem:

  • Por que aquilo é importante
  • Qual problema precisa ser resolvido
  • Como a operação deve agir para chegar naquele resultado
OKRs vs NCTs: Modelo de gestão

Conclusão: OKRs ou NCTs

Na prática, não existe uma resposta definitiva.

Os OKRs continuam sendo extremamente eficientes para criar alinhamento, foco e acompanhamento de resultados. O problema não está necessariamente na metodologia, mas na forma superficial como muitas empresas passaram a utilizá-la.

Os NCTs surgem como uma tentativa de complementar essa lacuna, aproximando estratégia da realidade operacional e trazendo mais contexto para a execução.

No final, empresas não crescem apenas porque definem metas agressivas.

Elas crescem quando conseguem transformar estratégia em execução consistente com um time de alta performance.

Porque meta sem contexto vira cobrança.

E contexto sem execução vira apenas discurso.

About author

Fundador do Diário de Vendas, referência em conteúdo voltado ao desenvolvimento de profissionais de vendas no Brasil. Com experiência como Head Comercial em empresas SaaS, é apaixonado por vendas e dedica-se à criação de materiais sobre vendas consultivas.
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