Aprenda como usar o GPCT, um dos frameworks mais utilizados para qualificação estratégica de oportunidades comerciais.
GPCT e Frameworks de Vendas
Imagine entrar em uma reunião comercial acreditando que tem uma grande oportunidade nas mãos…
Mas, ao final da conversa, você percebe que o cliente não tinha urgência, orçamento ou sequer clareza sobre o problema que precisava resolver.
Situações como essa são mais comuns do que parecem, e normalmente acontecem por falta de um diagnóstico estruturado.
O GPCT foi criado pela HubSpot, referência global em CRM, a partir da necessidade de desenvolver um framework mais atualizado que o BANT, originado na década de 60 pela IBM.
Trata-se de uma metodologia focada na utilização de perguntas estruturadas, seguindo um passo a passo pré-determinado, para qualificar leads durante a etapa de diagnóstico e gerar oportunidades de vendas mais qualificadas.
Neste conteúdo, você vai entender cada uma das etapas do GPCT tradicional e também do modelo completo, que possui oito etapas no total: GPCTBACI.

Goals (Objetivos)
A primeira etapa do GPCT tem como objetivo entender quais são as principais metas que o cliente deseja alcançar.
Para que o diagnóstico aconteça de forma eficiente, é essencial que o vendedor compreenda quais são os objetivos estratégicos do cliente.
São essas prioridades que ajudam a definir o nível de urgência para resolver determinado problema.
Também é fundamental entender o nível hierárquico do lead, o cargo ocupado e o departamento em que ele atua.
Esses fatores impactam diretamente a estratégia comercial, já que cada área possui metas e responsabilidades diferentes.
Algumas perguntas que podem ajudar nessa etapa:
- Qual seu principal objetivo para os próximos meses?
- Que tipo de resultado vocês esperam alcançar em 6/12 meses?
- Qual seria a definição de sucesso nesse projeto?
- Como isso impacta o resto da empresa?
- Porque isso é uma prioridade?
Uma técnica extremamente útil nessa etapa é a dos 5 Whys (5 Porquês), que permite aprofundar a conversa e identificar o real interesse por trás dos objetivos apresentados.
Plans (Planejamento)
Após entender os objetivos do cliente, o próximo passo é analisar qual é o plano desenhado para alcançá-los.
Aqui, o vendedor deve adotar uma postura investigativa e curiosa. Se o objetivo representa o destino final, o planejamento revela o caminho que o cliente pretende seguir.
É justamente nesse trajeto que surgem possíveis lacunas e oportunidades para conectar sua solução.
O objetivo dessa etapa é compreender o passo a passo planejado e identificar gargalos que possam impedir o cliente de atingir o resultado esperado. Esses gargalos são, essencialmente, as dores do cliente.
A escuta ativa é indispensável nesse momento. O lead deve sentir liberdade para explicar o planejamento, as ações já iniciadas e os possíveis obstáculos existentes.
Técnicas como espelhamento ou rotulação podem ajudar a evidenciar os desafios, por exemplo:
“Parece que esse processo pode demandar bastante tempo do seu time, certo?”
Neste momento, ainda não é hora de criar implicações profundas sobre os problemas. O foco deve ser compreender completamente o cenário.
Perguntas recomendadas:
- Qual o planejamento para alcançar o objetivo definido?
- Quais estratégias vocês já identificaram como essenciais?
- Quais ações já estão acontecendo?
- Que tipo de recursos serão necessários para esse planejamento?
- Como você espera alcançar esse objetivo?
- Vocês já tentaram colocar esse plano em prática antes?
Challenges (Desafios)
Nesta etapa, o foco passa a ser a identificação dos obstáculos presentes no plano do cliente.
Durante a etapa de planejamento, provavelmente já surgiram sinais de possíveis dificuldades. Agora é o momento de explorá-las com profundidade e deixar claro como esses desafios podem comprometer os resultados esperados.
O planejamento representa o cenário ideal. Os desafios representam tudo aquilo que pode impedir sua execução.
Absorva esse ponto com clareza e não economize em perguntas ou implicações, porque quanto mais a dor do cliente ficar clara para ele, mais sua solução será necessária.
Exemplo de perguntas:
- O que você acha que pode impedir seu planejamento de sair da forma esperada?
- Quais desafios você já antecipou nesse planejamento?
- Como esses desafios impactam o planejamento?
- Existe um plano para superar esses obstáculos?
- O que aconteceria se não eliminarmos esses desafios?
- Qual a parte mais difícil ou complexa do planejamento?
- Por que essa etapa é tão complicada?
Essa costuma ser a etapa mais desconfortável para o cliente, já que envolve questionar diretamente o plano estabelecido.
Por isso, manter uma postura consultiva é essencial para demonstrar que o objetivo é ajudar, e não criticar.
Timeline (Tempo)
A última etapa do GPCT tradicional busca entender o prazo esperado pelo cliente para alcançar seus objetivos.
Aqui estamos falando diretamente sobre cronogramas e expectativas de entrega de resultados.
O cliente normalmente apresenta um prazo considerando o momento em que espera que a solução esteja implementada e gerando resultados.
Esse ponto é extremamente estratégico para o vendedor.
Se existe uma data definida para alcançar o objetivo, todo o planejamento e a resolução dos desafios precisam acontecer antes disso. Caso contrário, a meta dificilmente será atingida.
Além de validar expectativas, essa etapa também é fundamental para gerar senso de urgência.
Trabalhe perguntas como:
- Quando você espera começar a ter resultados?
- Qual é a timeline para alcançar o objetivo desejado?
- Se o objetivo precisa ser alcançado em X meses, quando você imagina que devemos começar os trabalhos?
- Quais os próximos passos do planejamento?
O GPCT completo
Grande parte dos vendedores utiliza o GPCT apenas com os quatro pilares apresentados anteriormente, principalmente quando o modelo de venda não exige um nível maior de profundidade.
No entanto, em cenários de vendas complexas e tickets médios mais altos, novas variáveis precisam ser consideradas. Para esses casos, existe a versão expandida do framework: o GPCTBACI, amplamente utilizado em vendas enterprises.
Budget (Orçamento)
Esta é uma das etapas mais sensíveis do processo, pois envolve discussões financeiras.
O objetivo aqui é entender se existe orçamento disponível para viabilizar o alcance dos objetivos definidos
A lógica aqui é sempre tentar ir além dos números.
Ninguém gosta de gastar dinheiro, convenhamos. O importante é mostrar qual o benefício real da sua solução.
Mais importante do que descobrir valores exatos é compreender o retorno esperado pelo cliente.
Demonstrar o ROI da solução e como ela potencializa resultados costuma facilitar essa conversa
Perguntas ideias para essa etapa:
- Já existe um budget pré definido para ajudar na conquista do objetivo?
- Qual a faixa de valores que estão pensando em investir?
- Já investiram em soluções como essa antes?
- Qual foi o budget alocado quando fizeram isso?
Authority (Autoridade)
Em vendas complexas, é comum que o vendedor não esteja conversando diretamente com o decisor final.
Por isso, é fundamental mapear quem são os responsáveis pela tomada de decisão. Muitas vezes, o lead com quem você conversa atua como um patrocinador interno do projeto
Esse patrocinador do projeto é o que o time de vendas normalmente se refere a um lead campeão, alguém que vai te ajudar a vender a ideia internamente.
Ele não é decisor, mas tem uma função muito importante no processo.
Portanto, nunca utilize de perguntas que vão rebaixá-lo, como “Com quem preciso falar para conseguir o sim para esse projeto?”
Evite perguntas que possam diminuir a importância do interlocutor. Em vez disso, envolva-o no processo, por meio de perguntas como:
- Quem além de você participa do processo de decisão?
- Quem mais da sua empresa precisamos envolver em uma nova conversa?
- O que você acha que o decisor precisa saber para nosso projeto sair do papel?
C & I (Consequências e Implicações)
A última etapa do GPCTBACI é dividida em dois pontos fundamentais:
- Consequências Negativas: Consequências de não tomar uma decisão e seguir com o modelo atual.
- Implicações Positivas: Implicações positivas de aprovar a mudança, começar o projeto e ver os resultados melhorarem.
Aqui é o momento de gerar urgência e desafiar o status quo do cliente.
Dimensionar o tamanho do problema, e descrever uma visão futura caso o cliente defina por não seguir com o projeto.
Ao mesmo tempo, reforçar os benefícios da sua solução, destacar como ela se conecta diretamente com o problema do cliente e quais as mudanças positivas que podem vir a partir do sim.
Observação: Quando o vendedor está usando o GCPT reduzido, apenas com as 4 primeiras etapas, as implicações positivas e negativas acontecem na terceira etapa, na hora de explorar os desafios.
Trabalhe perguntas diretamente conectadas às implicações, como:
- Qual a consequência de não fazer nada?
- Se esse problema não for resolvido, o que pode acontecer?
- Como você vê a nossa solução frente ao problema que você está enfrentando?
- Que tipo de benefícios você percebeu que nossa solução pode trazer?
Conclusão
O GPCT vai muito além de um simples roteiro de perguntas.
Ele é uma ferramenta estratégica que permite ao vendedor conduzir diagnósticos mais profundos, e compreender melhor o cenário do cliente.
Ao utilizar o framework corretamente, o profissional de vendas deixa de atuar apenas como fornecedor e passa a assumir um papel consultivo, ajudando o cliente a:
- Identificar objetivos
- Estruturar planos
- Antecipar desafios
- Desenhar uma timeline clara
- Tomar decisões com maior segurança
O GPCT ajuda a construir relacionamentos comerciais mais sólidos, aumentar a previsibilidade de resultados e elevar o nível de maturidade do processo de vendas.
Empresas que estruturam seus diagnósticos com metodologia conseguem não apenas vender mais, mas vender melhor e com maior consistência.


