Gestão

Guia completo para definir seu modelo de Precificação

Entenda o que é precificação e aprenda o passo a passo para definir o modelo ideal para sua empresa


Como definir sua precificação

Tenho certeza de que, quando você está analisando algum produto online, não compra a primeira opção que aparece na tela, certo?

Normalmente, você compara alternativas, analisa diferentes faixas de preço, avalia benefícios e só então toma uma decisão. São vários critérios que entram nessa escolha.

E o seu cliente provavelmente segue a mesma lógica!

A precificação de uma empresa é influenciada por fatores internos, como metas de faturamento, objetivos estratégicos e qualidade do produto, mas também por fatores externos, como público-alvo, concorrência e tendências de mercado, econômicas e até sociais.

Apesar disso, muitas empresas ainda definem seus preços analisando apenas o custo interno de produção. No curto prazo, isso pode parecer suficiente. 

No longo prazo, porém, pode ser extremamente prejudicial para o negócio.

Uma precificação mal estruturada pode comprometer margens, posicionamento de marca e até a percepção de valor do produto. 

E o mais crítico: muitas vezes, mesmo quando a empresa tenta corrigir esse erro, o impacto negativo na imagem já aconteceu.

Por isso, neste guia, vamos explorar um passo a passo prático para criar uma estratégia de precificação eficiente, além de apresentar os principais modelos utilizados no mercado.

Passo a passo para criar sua Precificação

1º Passo: Entenda sua base de clientes e audiência

O primeiro passo é desenhar com clareza sua persona ou ICP (Ideal Customer Profile). 

É fundamental entender quem é o público que você deseja atingir com seu produto ou serviço.

A partir disso, avalie quanto esse público está disposto a pagar, considerando fatores como perfil socioeconômico, faixa etária, concorrentes diretos, demanda pelo produto e dores principais.

Em outras palavras, é necessário entender como o mercado percebe sua solução e qual é o valor atribuído a ela.

Ferramentas como pesquisas de mercado, questionários, grupos de discussão, redes sociais e fóruns ajudam a coletar feedbacks reais e fornecem uma visão muito mais clara do comportamento do cliente.

2º Passo: Analise o mercado e concorrentes

Nenhuma estratégia de precificação deve ser criada isoladamente. É essencial entender como o mercado já está precificando soluções semelhantes.

Aqui é importante observar dois tipos de concorrência:

  • Concorrentes diretos: oferecem produtos ou serviços muito similares ao seu.
  • Concorrentes indiretos: oferecem alternativas diferentes que também podem resolver o problema do cliente.

Criar uma tabela comparativa de preços, posicionamento e proposta de valor ajuda a identificar oportunidades e evitar decisões desalinhadas com o mercado.

3º Passo: Avalie o potencial de valor do seu produto

“Preço é o que você paga, valor é o que você recebe”

Como destaca Warren Buffet na sua famosa frase, quando falamos de valor, não estamos nos referindo ao preço, mas sim ao valor percebido pelo cliente.

O valor percebido representa o quanto o cliente acredita que sua solução vale. Ele está diretamente ligado aos benefícios, diferenciais competitivos e impacto que seu produto gera.

Metas estratégicas podem incentivar preços mais altos, mas é necessário equilíbrio. Um ticket elevado não sustenta crescimento se o cliente não percebe valor suficiente para justificar esse investimento.

Identificar os benefícios que fazem seu produto se destacar é o que define até onde seu preço pode chegar.

4º Passo: Defina o modelo ideal de precificação

Após analisar clientes, concorrentes e valor percebido, chega o momento de escolher o modelo de precificação.

Essa decisão deve estar alinhada não apenas com o mercado, mas também com os objetivos estratégicos da empresa.

É importante lembrar que a precificação não precisa ser definitiva. Ajustes são naturais ao longo do crescimento do negócio. 

Porém, corrigir uma estratégia mal definida pode exigir grandes mudanças operacionais e impactar a confiança do cliente.

Por isso, essa decisão exige análise cuidadosa e planejamento estratégico.

Modelos de Precificação

Existem diferentes modelos de precificação, sendo que é preciso ter uma visão clara do contexto e mercado que sua empresa está inserida para tomar essa decisão.

1º Modelo: Precificação baseada em concorrente

Esse é um dos modelos mais simples e comuns. Ele consiste em analisar o preço praticado pelos concorrentes e utilizar essa referência para posicionar seu produto.

É bastante utilizado em mercados com produtos semelhantes e baixa diferenciação, como varejo e alimentação.

Se você é dono de um restaurante e está em dúvida de qual deveria ser o preço de uma lata de Coca-Cola, basta dar uma olhada no que os outros estabelecimentos ao redor estão cobrando, não é mesmo?!

A grande vantagem desse modelo é que ele funciona bem quando produtos e serviços são similares e oferecem mais ou menos a mesma qualidade.

Porém, o preço nunca será o seu diferencial, principalmente por serem mercados saturados

Além disso, o cálculo da precificação não levou em conta os custos internos da empresa.

Pode ser que você esteja deixando sua margem bem reduzida só para entregar um preço competitivo.

2º Modelo: Precificação baseada no custo de produção

Também chamado de Mark Up Pricing, esse modelo de precificação é baseado em qual o custo total de produção que você tem para produzir seu produto.

Aplicado principalmente em indústrias mas também no varejo, esse modelo de precificação é ideal para empresas que não podem ignorar o custo de produção.

Principalmente porque esse custo pode ser relevante, e ignorar ele pode levar a uma margem muito reduzida e um negócio pouco saudável em termos financeiros.

A lógica dele é bem simples, como no exemplo abaixo:

  • Custo total de produção: R$ 40,00
  • Mark Up: 100%
  • Custo repassado para o cliente: R$ 40,00
  • Custo total: R$ 80,00

O Mark Up sempre vai representar qual a porcentagem que você quer ganhar relacionado ao custo do seu produto.

Esse modelo garante controle financeiro e sustentabilidade operacional, mas pode ignorar fatores como valor percebido e competitividade de mercado.

3º Modelo: Precificação Dinâmica

Nesse modelo, o preço varia de acordo com a demanda do mercado.

É comum em setores como turismo, eventos e companhias aéreas. O objetivo é maximizar receita em períodos de alta demanda e reduzir perdas em momentos de baixa.

Como no caso de hotéis que cobram diárias no valor X em datas comuns, mas chegam a triplicar ou até quadruplicar esse preço em datas comemorativas.

Além disso, você consegue antecipar receitas gerando um medo de aumento de preço no cliente, como nas passagens aéreas, que é comum ver pessoas comprando as passagens com 7 ou 8 meses de antecedência para garantir melhores condições.

Eventos costumam usar o modelo de teste A/B aqui, oferecendo um tipo de precificação baixa e outra alta para o mesmo evento, com o intuito de entender como está a demanda do cliente.

Se as vendas de ticket médio alto não seguirem como previsto, pode ser que a demanda não esteja da forma esperada e vale a pena aplicar uma promoção.

Caso contrário, é possível aumentar o preço dos outros tipos, criando precificação por lotes.

O grande desafio desse modelo de precificação é a concorrência e o tipo de preço que ela está colocando no mercado

Caso sua precificação dinâmica esteja fora da realidade, e a dela esteja mais adaptada, pode ser que sua empresa acabe tendo um prejuízo.

É necessário monitoramento constante do mercado e análise estratégica da concorrência.

4º Modelo: Precificação Freemium

Muito comum em empresas SaaS e modelo favorito de Startups, consiste em oferecer uma versão gratuita com recursos limitados e versões pagas com funcionalidades mais avançadas.

O principal objetivo é entregar um gostinho do produto para o cliente.

Oferecer uma versão gratuita com funcionalidades reduzidas ou limitadas, mas seja suficiente para atender as necessidades básicas do usuário.

Por meio dessa versão gratuita, incentivar o cliente a migrar para a versão paga.

Esse modelo gera confiança no cliente, que entende o real valor da solução antes mesmo de se comprometer com algum valor financeiro.

O desafio está em equilibrar o que é entregue gratuitamente e o que fica restrito às versões premium.

Muitas empresas têm dificuldade de entender essa diferença, e acabam por entregar uma versão paga que não gera valor ao cliente, levando a perda de leads e potenciais clientes.

Ao mesmo tempo que, se a versão paga já atende todas as necessidades, a barreira de mudança é muito alta, e os clientes acabam utilizando apenas o modelo gratuito.

5º Modelo: Precificação de penetração de mercado

Estratégia utilizada por empresas que desejam ganhar espaço rapidamente. O preço inicial é reduzido para atrair clientes e conquistar clientes frente à concorrência.

Não chega a ser exatamente um modelo constante, a grande maioria das empresas utiliza outro tipo de precificação futuramente e apenas começa com esse.

O intuito aqui é calcular sua precificação ideal, e iniciar a operação com um preço abaixo.

Esse preço não é sustentável a longo prazo, principalmente pela margem reduzida, mas ele ajuda a atrair a atenção do mercado.

Ideal principalmente para mercados que são muito competitivos e já tem concorrentes estabelecidos.

Exemplos de outros modelos de precificação

Além dos modelos que citamos acima, existem alguns outros que podem fazer sentido de acordo com seu mercado, como:

Precificação por hora ou projeto:

Ideal para empresas que prestam serviços, como consultorias ou escritórios de advocacia

Pode ser baseada no tempo investido ou em entregas completas

A grande vantagem é que esse modelo permite destrinchar orçamento, deixando claro para o cliente os detalhes da precificação.

Precificação High-Low:

A ideia aqui é lançar um produto que tem alta expectativa no mercado por um preço alto, passando uma sensação de novidade e exclusividade.

Depois que a popularidade cai, o preço sofre alterações e se torna mais acessível.

Muito usado por marcas de moda em lançamentos, e até a Apple trabalha assim com seus novos modelos de Iphone.

Precificação Premium:

Focada em posicionamento de marca e percepção de luxo. Prioriza margem e valor agregado em vez de volume de vendas.

Normalmente se trabalha com um ticket médio mais alto, para passar uma sensação de status e exclusividade.

Marcas de carro famosas como a Ferrari e Lamborghini são ótimos exemplos desse modelo.

Dicas finais para uma boa precificação

Pense no valor que o produto entrega para o cliente

Mais importante do que o custo interno é entender qual impacto seu produto gera na vida do cliente. Pergunte:

  • Que problema ele resolve?
  • Que benefícios ele gera?
  • Que transformação ele proporciona?

Entenda as motivações do seu cliente

Nem sempre o preço será o fator decisivo.

Em produtos mais simples ou vendas transacionais, ele pode ser o fator determinante. 

Já em serviços complexos, fatores como confiança, reputação, segurança e experiência podem ter peso maior na decisão.

Compreender esses motivadores é essencial para definir uma estratégia de preço eficiente.

Conclusão

A precificação de um produto vai muito além de uma simples conta financeira. Ela envolve posicionamento de mercado, percepção de valor e estratégia de crescimento do negócio.

Empresas que definem preços apenas com base em custos correm o risco de comprometer sua competitividade e sua sustentabilidade no longo prazo. 

Por outro lado, organizações que constroem sua precificação considerando cliente, mercado e valor entregue conseguem criar vantagens competitivas muito mais sólidas.

Mais do que definir quanto cobrar, a precificação é uma ferramenta estratégica que comunica o valor da sua marca e influencia diretamente na decisão de compra do cliente.

Ao estruturar uma estratégia consistente, baseada em dados e percepção de valor, sua empresa não apenas melhora margens e rentabilidade, mas também fortalece seu posicionamento e aumenta suas chances de crescimento constante.



About author

Fundador do Diário de Vendas, referência em conteúdo voltado ao desenvolvimento de profissionais de vendas no Brasil. Com experiência como Head Comercial em empresas SaaS, é apaixonado por vendas e dedica-se à criação de materiais sobre vendas consultivas.
Related posts
Gestão

Funil em Y: o que é, como funciona e por que usar no seu processo comercial

Gestão

Funil de Vendas: O Guia para Entender, Otimizar e Aumentar Suas Conversões

Gestão

Quais as principais métricas SaaS que um vendedor precisa conhecer

Gestão

Guia Completo para Montar um Time de Alta Performance

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Worth reading...
Fechamento de Portas: Como Fechar Mais Vendas com Segurança